Exército de vaga-lumes

17/04/2014 | 13h29

“O mundo mudou por nossa causa. Chegou a nossa vez de mudar por ele”. Este é o slogan do Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental, lançado em março, em uma iniciativa da ARI, ABES-RS e Braskem. É mais do que tempo de traduzirmos a consciência ambiental em atitude.

Uma atitude condizente com a preservação da capacidade do nosso planeta de sustentar a vida com qualidade, expressa em clima agradável, solos férteis, água límpida, ar puro e ambiente estimulante para o sentir-se bem individual e coletivo, inclusive o das demais espécies que o configuram sinergicamente conosco.

São, por exemplo, escolas que mobilizam suas comunidades para a criação e manutenção de áreas verdes; são indústrias que minimizam a geração de resíduos e que lançam produtos com menor demanda energética, duráveis e recicláveis; são leis que favorecem a viabilidade econômica e social de uma produção agrícola diversificada e ecologicamente inserida nas paisagens; ou ainda, regulações que podem inverter a situação atual, em que é mais econômico derrubar a Amazônia para plantar soja, do que manejá-la com reverência, como expressão máxima da biodiversidade tropical e agente vital de macrorregulação climática. Felizmente, exemplos abundam.

Mas, como diz um provérbio budista: “a árvore que cai faz muito mais barulho do que a floresta que cresce”. Essa última tende a se estabelecer não só de forma silenciosa, mas muito mais lenta também. Porém, se tivermos um exército de vaga-lumes, guiado pelo espírito de “Lutz”, a iluminar essa floresta e a divulgar o mundo encantado que esta abriga, certamente estaremos dando um impulso para reverter o quadro atual, em que escutamos tantas árvores tombando e, em que, mais do que nunca, é preciso mudar para o bem do mundo e de todos nós.

Lara Lutzenberger
Presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger


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